Aquellos [Pedro Oliveira Tavares]

Aquellos que resisten
en una plaza
donde el calor humano
derrota al frío dictatorial
son aquellos
de los que brotan pétalos
donde existía alambre dorado en astillas
y transforman la noche
en un día recién nacido, especial.
También nacen y mueren
lloran y ríen
e incluso sufren
por quienes les desean el mal
(al fin y al cabo)
no
están hechos de cemento
están hechos de sangre
están hechos de flor
son
frutos en crecimiento.

Es primavera
rumor inquieto
la pregunta ya se respondió
una docena de hombres
se buscan, se miran.
Únicamente confían en todo
cuando ya lo han visto muchas veces
siempre hay fantasmas
floreciendo en la duda
renacida.
Son
aquellos a quien agrada
ver las venas de la tierra
nada es casualidad
ni durante siglos ha sido una causa perdida.
Ellos conocen
la lengua de las horas
en la que el tiempo de la sangre nueva
del recuperable
mundo dentro de una mirada.

Aqueles
Aqueles que resistem / numa praça / onde o calor humano / derrota o frio ditatorial / são aqueles / que brotam pétalas / onde existia arame chorado em farpas / e transformam a noite / num dia recém-nascido, especial. / Também nascem e morrem / choram e riem / e até sofrem / por quem lhes quer mal / (ao fim e ao cabo) / não / são feitos de cimento / são feitos de sangue / são feitos de flor / são / frutos em crescimento. // É primavera / rumor inquieto / a pergunta foi respondida / uma dúzia de homens / procuram-se, olham-se. / Só confiam em tudo / quando tudo é visto muitas vezes / há sempre fantasmas / a florir na dúvida / renascida. / São / aqueles a quem agrada / ver as veias da terra / nada é casual / nem os séculos são uma causa perdida. / Eles percebem / a linguagem da hora / em que é tempo do novo sangue / do recuperável / mundo dentro de um olhar.

De Lugar sinónimo (lorem ipsum), 2016